O que estamos vivendo hoje é, infelizmente, uma gestão do improviso. E é preciso dizer com clareza: educação e saúde não funcionam sem planejamento. Não se constrói política pública séria com soluções momentâneas, decisões rasas ou ações feitas apenas para aparentar que algo está sendo feito.
Um ponto que merece atenção urgente é a questão da alimentação escolar. Existe uma per capita definida, com um número médio de calorias por criança, elaborada por profissionais da área. No entanto, o que falta é algo fundamental: sensibilidade e compreensão da realidade.
Uma criança que estuda em uma escola do campo vive uma realidade completamente diferente daquela que estuda em uma escola urbana. Ela acorda muito mais cedo, enfrenta longos deslocamentos, passa mais tempo fora de casa e, muitas vezes, fica até dez horas entre sair de casa, ir para a escola e retornar.
Tratar essas realidades como se fossem iguais é um erro grave. A alimentação escolar de uma criança do campo precisa ser diferenciada, mais reforçada e pensada de acordo com o tempo, o esforço físico e a distância enfrentada diariamente. Aplicar a mesma per capita para contextos tão distintos é fechar os olhos para a realidade.
Com todo respeito, mas isso ultrapassa o limite do aceitável. Criam-se discursos, cortinas de fumaça e narrativas para tentar mostrar avanços que, na prática, não estão acontecendo. Enquanto isso, quem sofre são as crianças, as famílias e os profissionais que estão na ponta do sistema.
Planejamento, responsabilidade e respeito às diferenças são essenciais para que educação e saúde funcionem de verdade. Improvisar não resolve apenas adia problemas que se tornam cada vez maiores.